Não acredito nas estrelas
No poder das cartas
Mas te escrevo uma, dez, milhões
Se for preciso...
Ai, Deus, não só no início foi o verbo....
10.10.2006
VENHA COMIGO
Venha comigo
Pelos caminhos que eu nem sei quem escolheu
Não se incomode com as pixações nos muros
O que elas dizem são do tempo em que o futuro
Ainda era maior do que as esquinas
Venha comigo
Descobrir que a cena é maior do que as personagens
Que as circunstâncias definem a curvatura do horizonte e do esqueleto
Que a luz define o tamanho da retina e das visões
E que o mundo embora exista sem os nossos olhos são neles que se revelam
Venha comigo
Não porque seja o melhor ou o possível
Mas apenas porque eu vejo em ti as ilusões que havia perdido
Os retratos que amarelaram
As cartas que nunca escrevi
As escavações na alma que deram em nada
Venha comigo
Porque essas ruas estão repletas de pés e de desconhecidos
de braços que não se juntam
Dos olhos que desfocam as luzes e as memórias
Venha comigo
Apenas porque estou aqui
esperando que o sangue encontre um outro caminho
e volte a corar a minha face
apenas porque estou aquiesperando que o tempo passe, mas não toque o meu rosto
Pelos caminhos que eu nem sei quem escolheu
Não se incomode com as pixações nos muros
O que elas dizem são do tempo em que o futuro
Ainda era maior do que as esquinas
Venha comigo
Descobrir que a cena é maior do que as personagens
Que as circunstâncias definem a curvatura do horizonte e do esqueleto
Que a luz define o tamanho da retina e das visões
E que o mundo embora exista sem os nossos olhos são neles que se revelam
Venha comigo
Não porque seja o melhor ou o possível
Mas apenas porque eu vejo em ti as ilusões que havia perdido
Os retratos que amarelaram
As cartas que nunca escrevi
As escavações na alma que deram em nada
Venha comigo
Porque essas ruas estão repletas de pés e de desconhecidos
de braços que não se juntam
Dos olhos que desfocam as luzes e as memórias
Venha comigo
Apenas porque estou aqui
esperando que o sangue encontre um outro caminho
e volte a corar a minha face
apenas porque estou aquiesperando que o tempo passe, mas não toque o meu rosto
gravidade
Vazio de minha alma
Cheia de desesperança
Que usa óculos
para não ter de enxergar
Na sala, enquanto as pernas passam pelo carpete,
as horas passam pela janela
e meu cérebro queima tudo, menos as gorduras
o vaso pede água
e eu me curvo em busca do sol
as plantas não se mexem
a minha cabeça ferve
mas tudo some na rua defronte
que olha pra dentro da sala
e não me vê aqui
na mesa, um resto de comida no prato
no sofá, um resto de jornal
na cadeira, as pernas de madeira escondem as de carne
enquanto as costas se curvam e os pensamentos são como a gravidade...
Cheia de desesperança
Que usa óculos
para não ter de enxergar
Na sala, enquanto as pernas passam pelo carpete,
as horas passam pela janela
e meu cérebro queima tudo, menos as gorduras
o vaso pede água
e eu me curvo em busca do sol
as plantas não se mexem
a minha cabeça ferve
mas tudo some na rua defronte
que olha pra dentro da sala
e não me vê aqui
na mesa, um resto de comida no prato
no sofá, um resto de jornal
na cadeira, as pernas de madeira escondem as de carne
enquanto as costas se curvam e os pensamentos são como a gravidade...
COMA III
Já disseram: Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo
e ao beber nem recorda
que já bebeu na vida
para quem tudo é novo...
Tudo era novo, pra mim. Conhecer meu corpo dessa forma, por partes, era novo. E, definitivamente, não era só um exercício muscular. Foi cerebral, emocional, sensorial, descomunal...
Eu fui mudando, e ainda hoje nem sei o quanto, ao me descobrir centímetro por centímetro...
Mas não me imagino sábio. Eu não aprendi e me contentar. Não sou sereno. Sou, antes de mais nada, um sujeito que adoraria que a vida estivesse toda ela contida em uma bela comédia romântica.
Meu irmão, Fernando, estava enganado. O pior não havia passado. Sobreviver foi fácil, comparado a viver bem... E viver bem e apaixonadamente é o que quero pra mim. Como é difícil!!!!
Você renasce e... volta pra sua vida anterior. Aquela mesma que você não quer mais. Não exatamente porque ela é ruim (e era mesmo). O fato é que ela foi o resultado das escolhas que você mesmo fez antes. O detalhe é que o sujeito que fez aquelas escolhas não existe mais... Ele ficou (junto com músculos e memórias) perdido em algum lugar daquela UTI.
Parece coisa de maluco. Você volta para a sua vida como um intruso. Qual é mesmo o mastro que segura este pano???
Também já disseram...
De tudo ficam três coisas: A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
SÓ QUE AGORA NÃO, por favor... Estou muito ocupado (e um pouco perdido)... Estou, afinal, reconstruindo minha vida e a mim mesmo. Que meda!!! Mas que é bacana, lá isso é...
e ao beber nem recorda
que já bebeu na vida
para quem tudo é novo...
Tudo era novo, pra mim. Conhecer meu corpo dessa forma, por partes, era novo. E, definitivamente, não era só um exercício muscular. Foi cerebral, emocional, sensorial, descomunal...
Eu fui mudando, e ainda hoje nem sei o quanto, ao me descobrir centímetro por centímetro...
Mas não me imagino sábio. Eu não aprendi e me contentar. Não sou sereno. Sou, antes de mais nada, um sujeito que adoraria que a vida estivesse toda ela contida em uma bela comédia romântica.
Meu irmão, Fernando, estava enganado. O pior não havia passado. Sobreviver foi fácil, comparado a viver bem... E viver bem e apaixonadamente é o que quero pra mim. Como é difícil!!!!
Você renasce e... volta pra sua vida anterior. Aquela mesma que você não quer mais. Não exatamente porque ela é ruim (e era mesmo). O fato é que ela foi o resultado das escolhas que você mesmo fez antes. O detalhe é que o sujeito que fez aquelas escolhas não existe mais... Ele ficou (junto com músculos e memórias) perdido em algum lugar daquela UTI.
Parece coisa de maluco. Você volta para a sua vida como um intruso. Qual é mesmo o mastro que segura este pano???
Também já disseram...
De tudo ficam três coisas: A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
SÓ QUE AGORA NÃO, por favor... Estou muito ocupado (e um pouco perdido)... Estou, afinal, reconstruindo minha vida e a mim mesmo. Que meda!!! Mas que é bacana, lá isso é...
COMA II
- Você sabe em que ano estamos? Foi esta a primeira pergunta da Sandra, psicológa da UTI.
- Bem, é ano de Copa... ahn.... hummmm... Dois mil e.... DOIS?, Arrisquei.
- Não. Doi mil e... SEIS. A Copa já acabou. Você não perdeu nada. O Brasil foi péssimo. Mas você, sim, você ganhou a sua Copa...
No caso, a "sua (minha) Copa" era a chance de continuar vivendo... Os bascos têm razão: a melhor vingança é viver!!!! Agora, só falta arrumar do quê se vingar...
Pensando bem, antes de arrumar um motivo, eu tinha mais o que fazer. Voltar a andar, por exemplo. Voltar a escrever, a viver...
Descobri cada músculo do corpo. Na prática. Tive de reaprender a fazer tudo... O primeiro dedo a mexer, a primeira queda, o primeiro uivo de dor...
Minha mente nunca esteve tão sã do que neste momento de corpo tão, digamos, paralisado. Eu me sentia forte. Vontade de viver em estado de arte. E tome exercício. Tirava os olhos para não enxergar nadinha de nada. Concentrava minhas forças, energia e cérebro em mexer o dedo... Puxa, foi maravilhoso ir conseguindo mexer comigo. Foi incrível sentir estar me religando, músculos se entendo com nervos, cérebro etc...
A gente se sente imbatível. Recompensado. Melhor.
- Bem, é ano de Copa... ahn.... hummmm... Dois mil e.... DOIS?, Arrisquei.
- Não. Doi mil e... SEIS. A Copa já acabou. Você não perdeu nada. O Brasil foi péssimo. Mas você, sim, você ganhou a sua Copa...
No caso, a "sua (minha) Copa" era a chance de continuar vivendo... Os bascos têm razão: a melhor vingança é viver!!!! Agora, só falta arrumar do quê se vingar...
Pensando bem, antes de arrumar um motivo, eu tinha mais o que fazer. Voltar a andar, por exemplo. Voltar a escrever, a viver...
Descobri cada músculo do corpo. Na prática. Tive de reaprender a fazer tudo... O primeiro dedo a mexer, a primeira queda, o primeiro uivo de dor...
Minha mente nunca esteve tão sã do que neste momento de corpo tão, digamos, paralisado. Eu me sentia forte. Vontade de viver em estado de arte. E tome exercício. Tirava os olhos para não enxergar nadinha de nada. Concentrava minhas forças, energia e cérebro em mexer o dedo... Puxa, foi maravilhoso ir conseguindo mexer comigo. Foi incrível sentir estar me religando, músculos se entendo com nervos, cérebro etc...
A gente se sente imbatível. Recompensado. Melhor.
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