Depois de um ano medíocre, outro. O crescimento é tão acanhado e modesto que nem mesmo a espetacular máquina de marketing montada pelo PT é capaz de dourar essa pílula.
Diziam que o remédio era amargo, mas eficaz. Não é. Nunca foi, mesmo nos tempos de Pedro Malan e companhia. O fato é que os ortodoxos de plantão simplesmente não querem enxergar o que quase uma década de aperto monetário e fiscal provocaram na renda e no País. Viramos uma minardi.... Que beleza!!!!
O Brasil é, para eles, como um saco sem fundo, que agüenta erros e desaforos, e é capaz, sempre, de superar experiências de ortodoxia explícita. E, cá estamos, no fundo do poço e cavando.
O PT optou pela armadilha. E, agora, soma o destino inexorável dos cristãos novos, que sempre tem de provar sua nova convicção — o que faz com o que a ala mais radical do mercado dê a dinâmica do processo —, com uma certa motivação aventureira, pois que se trata também disso.
O detalhe não é, infelizmente, apenas uma amarração macroeconômica equivocada - que concentra a renda. O detalhe é que essa amarração macroeconômica é o resultado de uma hegemonia. Em linguagem de esquerda, que um dia o PT dizia ser, isso se chama capitulação.
Uma coisa é aprender a linguagem do mercado, entender sua língua e convicções e até adotar medidas por ele preconizadas, até porque são corretas. Outra, diferente, é imaginar ser possível construir um país a partir dessa receita de bolo. Receita que despreza alguns ingredientes, como o povo e a política, e que, em resumo, diz que o BC se preocupa com a inflação, a Fazenda com o caixa e acredita que o crescimento é um subproduto.
O maior problema macroeconômico do País é justamente a sua incapacidade de crescer. E é isso que fará a miséria continuar prosperando nesta terra tropical...
10.12.2006
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