"Calma, o pior já passou"
Da minha irmã Luciana todo santo dia lá na UTI.
Detalhe: eu estava com um tubo na boca, não me mexia, não falava e nem sabia o que podia ser pior do que aquilo...
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"O que eu tenho mais medo é disso: ficar dependendo dos outros para tudo"
Da minha ex-sogra Maria do Carmo ao me ver entrando na sala em uma cadeira de rodas. Tive que concordar com ela.
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"Você é um case de sucesso aqui na UTI"
Do médico que mais cuidou de mim, o Dr. Fernando... Nunca imaginei ser um case de sucesso de UTI, mas vá lá...
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"Eu não te deixei cair. Você escorregou"
Do meu fisioterapeuta, Marcos, o Japa mais maluco que eu já conheci, depois de ter me deixado "escorregar" até o chão (porque do chão não passa).
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"Você não pode ter segredos. Você fala dormindo"
De uma enfermeira que cuidou de mim. E mal. Já que nunca me disse o que eu havia dito.... DROGA!!!
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"Quem é vivo sempre aparece"
De uma colega de trabalho, temo que algo desligada...
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"Eu fui um pouquinho má, mas foi para o seu bem"
De uma fisioterapeuta da UTI - línda, por sinal - que me fez ficar em uma máquina, que faz o pulmão pegar no tranco e na qual não se enxerga absolutamente nada. Detalhe: ouvindo a reprise de uma novela da Globo "A VIAGEM". E diziam pra Cristiane Torloni: sim, você morreu!!!! E ela respondia: Não, eu não morri!!! Foi, enfim, ótimo...
10.18.2006
COMA IV
Você já pensou que ia morrer? Eu nunca pensei nisso. Queria atingir a imortalidade simplesmente vivendo...
Mas, bem, eu quase morri e, confesso, não sei muito bem o que isso significa. Não foi na UTI que me senti morrendo... Lá, eu lutei pra viver...
Já me senti morrendo, mas era de tristeza, de desesperança, por incapacidade, por desilusão, por exaustão emocional...
Nada disso eu senti na UTI, no Hospital, na casa do meu irmão...
Não sei o que é quase morrer.
Sei o que é depressão. Sei o que é tomar bola. Sei o que é fumar dois maços por dia... Um maço inteiro só no trabalho... Sei o que é não dormir... Sei o que é se forçar a tomar banho, a escovar os dentinhos e a ir trabalhar sem o menor tesão. Sei o que é não ter tesão por absolutamente nada. Sei o que é ter uma esperança desesperançosa. Sei o que é ter uma QUASE VIDA...
Confesso, nada disso senti na UTI.
Não quero dar a falsa impressão de que estava pior antes de quase morrer... Não. Eu estava mesmo péssimo. Um trapo. Mas, na cabeça da gente, não se morre só uma vez... A morte, afinal, é só a ausência absoluta de amor, de esperança, de motores propulsores para a vida...
Um dia, no trabalho, uma amiga (eu deturpei um pouco as palavras dela, coisa de jornalista que vive a procurar leeds) disse (mais ou menos) que o coma tinha me feito bem... Imagina, eu estava até queimado de sol...
Bem, de fato, é mais ou menos isso... O esforço emocional de lutar para viver e, depois, para voltar a se mexer, a andar, a dirigir, a trabalhar, a ter uma vida normal, me fez bem. Muito bem, porque me fez olhar para mim com mais carinho e cuidado. Sabe, a gente devia vir com uma placa: Frágil, deixar este lado (o da cabeça) para cima!!!
PS: eu ainda acho que o fato de estar mais moreninho é que eu não me mexia ainda e os enfermeiros me punham para tomar sol e iam tomar café...
PS2: No princípio, eu pensei na UTI e na recuperação como aquela história do bode na sala... Você fica tão feliz que, enfim, tudo fica ótimo... Bem, não é bem assim. Eu estou mudado. O duro é que não sei bem o quanto estou mudado... A idéia do controle ainda me fascina, mas que ela é uma bobagem, lá isso é...
Mas, bem, eu quase morri e, confesso, não sei muito bem o que isso significa. Não foi na UTI que me senti morrendo... Lá, eu lutei pra viver...
Já me senti morrendo, mas era de tristeza, de desesperança, por incapacidade, por desilusão, por exaustão emocional...
Nada disso eu senti na UTI, no Hospital, na casa do meu irmão...
Não sei o que é quase morrer.
Sei o que é depressão. Sei o que é tomar bola. Sei o que é fumar dois maços por dia... Um maço inteiro só no trabalho... Sei o que é não dormir... Sei o que é se forçar a tomar banho, a escovar os dentinhos e a ir trabalhar sem o menor tesão. Sei o que é não ter tesão por absolutamente nada. Sei o que é ter uma esperança desesperançosa. Sei o que é ter uma QUASE VIDA...
Confesso, nada disso senti na UTI.
Não quero dar a falsa impressão de que estava pior antes de quase morrer... Não. Eu estava mesmo péssimo. Um trapo. Mas, na cabeça da gente, não se morre só uma vez... A morte, afinal, é só a ausência absoluta de amor, de esperança, de motores propulsores para a vida...
Um dia, no trabalho, uma amiga (eu deturpei um pouco as palavras dela, coisa de jornalista que vive a procurar leeds) disse (mais ou menos) que o coma tinha me feito bem... Imagina, eu estava até queimado de sol...
Bem, de fato, é mais ou menos isso... O esforço emocional de lutar para viver e, depois, para voltar a se mexer, a andar, a dirigir, a trabalhar, a ter uma vida normal, me fez bem. Muito bem, porque me fez olhar para mim com mais carinho e cuidado. Sabe, a gente devia vir com uma placa: Frágil, deixar este lado (o da cabeça) para cima!!!
PS: eu ainda acho que o fato de estar mais moreninho é que eu não me mexia ainda e os enfermeiros me punham para tomar sol e iam tomar café...
PS2: No princípio, eu pensei na UTI e na recuperação como aquela história do bode na sala... Você fica tão feliz que, enfim, tudo fica ótimo... Bem, não é bem assim. Eu estou mudado. O duro é que não sei bem o quanto estou mudado... A idéia do controle ainda me fascina, mas que ela é uma bobagem, lá isso é...
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